terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Recomendações



Para além desta fotografia da autoria da minha mana que também deve ter feito a decoração, hoje apenas vou deixar a quem eventualmente "me" visite, dois links para coisas que penso que vale mesmo a pena ler. Esta e Esta outra.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Carta ao Pai Natal

A ideia foi-me oferecida pelo Redy Wilson do "Ku frontalidadi". Decidi assinar também a carta que o Boss AC dirige ao Pai Natal.

"Nobre Causa"

Só a nobreza da causa abraçada no vídeo abaixo me leva a quebrar o silêncio "triste" a que me remeti. Não deixem de ver e, eventualmente, juntar a vossa voz ao apelo de tantos e tão consagrados artistas. A bem da nação...

sábado, 29 de novembro de 2008

Portugal triste

























NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder
Como o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

Valete, Fratres

Fernando Pessoa (Antologia )



Mas, parece, a hora ainda não chegou
Não sei se é do frio, se é de mim. A verdade é que me apeteceu "roubar" este mapa aqui e fazer-lhe "maldades"... Espero que a autora me perdoe. Depois, abri ao acaso um livro de poemas e que me sai? Aqui fica à consideração de quem passar...

Fado Triste - Mísia - Fonte: Youtube

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Fontanna Bellagio - Las Vegas

video
Poucas coisas me descontraem melhor do que olhar água em movimento. De preferência as ondas do mar. Mas também gosto de uma fonte e este vídeo que me chegou da parte de um amigo é espectacular.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A casa dos Outros


Recebi o mail de uma antiga aluna que terminou o curso de enfermagem há dois anos. Segundo ela, um simples desabafo do dia a dia de uma enfermeira nos " cuidados continuados" em Portugal.
Os tais que se inventaram para que os Hospitais baixem a média de dias de internamento, um indicador de "eficiência" que os novos gestores querem, a qualquer preço. Relatos como este, conheço às dúzias. No nosso país, quase toda aquela "estrutura" (ou a falta dela) assenta na dedicação de enfermeiras e enfermeiros que se desgastam em dias assim, até chegarem ao ponto de "burnout"... em que tudo deixa de interessar-lhes e passam a ser autómatos vivos, de emoções mortas... Além dos enfermeiros, a tal "eficiência" também assenta no sacrifício de familiares que, sem meios e sem apoios dignos, vivem situações que por vezes duram anos e anos, de completa dedicação/alienação de si mesmos. É isto que os enfermeiros também carregam nas suas preocupações do dia a dia enquanto não "queimam". Não pretendem ser heroínas e heróis, gostam do que fazem... Mas precisam de o fazer com condições dignas para os profissionais, para aqueles de quem cuidam, para o sistema que integram, para o país em que vivemos todos. O texto é longo mas peço-vos que tenham paciência para lê-lo. Trata-se de denunciar uma situação de que se fala muito menos do que interessa a todos nós. Aqui vai portanto:
A CASA DOS OUTROS
A D. Maria tem 47 anos... e um cancro de um ovário. O marido, já reformado,
quis satisfazer-lhe o desejo de não morrer num hospital.
Têm uma filha, a acabar o curso na universidade: boa aluna, em altura de
exames... precisa de estudar e a sua mãe está a terminar os seus dias de vida, no quarto ao lado...
A D. Maria está em cuidados paliativos... e sabe disso!
Já não quer comer, bebe apenas alguns goles de água. Tem um soro para que lhe possamos dar medicamentos. Uma perfusão permanente de morfina, cuja eficácia já há muito, deixou de ser esperada. A barriga... como descrever? Tem uma colostomia que mal funciona... está inchada, como um balão que vai rebentar.. e, de facto, começa a rebentar: abrem-se fístulas espontaneamente e as fezes saem por todo o lado. O cheiro? Não consigo descrever! O corpo? Pele e osso, para ser mais exacta! Há metástases no fígado, no pulmão... a respiração é ofegante... já lá vão 5 semanas...
Diariamente, desloco-me a casa da D. Maria, duas ou três vezes: para dar
medicação, para cuidar daquela barriga... para falar com ela, para dar o apoio possível ao marido e à filha, que tentam fazer o que sabem e o que podem . O sofrimento? É grande... de todos! Mas eu sou enfermeira... não é suposto que me seja difícil ver o sofrimento dos outros! Tudo se torna mais difícil quando estou a sós com a D. Maria, que me agarra as mãos e me pede insistentemente... que termine com a vida dela! Os apelos são cada vez mais frequentes, mais desesperados: 'Por favor! Se tem compaixão de mim, injecte-me qualquer coisa para terminar de vez com esta agonia! Pela sua felicidade, por favor, acabe com a minha vida'... E eu tenho compaixão... mas nada posso fazer! A dor não se consegue controlar por estes meios, não disponho de tempo para tentar outros, é impossível cuidar dela sem lhe provocar ainda mais dores...
O que faz uma enfermeira?
Vai-se embora dali de cada vez a sentir-se mais inútil... A sentir-se incapaz... A
ouvir repetidamente aquele apelo... e a desejar, embora lhe custe muito, que a eutanásia fosse possível! Mas, se fosse possível... e a praticasse, como iria para casa?
Mas para quê falar disto?... Os enfermeiros não
podem perder-se em sentimentos!
Continuo o meu plano de trabalho domiciliário: Agora o meu próximo doente "vive" numa
barraca . Chove dentro, há ratos, pulgas, lixo... o cheiro faz - nos ter vontade de fazer meia volta de imediato... O Sr. José tem 87 anos e vive sozinho. A auxiliar domiciliária passa por lá uma vez por semana mas pouco pode fazer para melhorar o conforto ou o aspecto da "habitação" do Sr. José que tem uma úlcera da perna direita, bastante infectada. Tenho que fazer-lhe o penso. Não há água... nem sequer as mãos posso lavar. Nem antes, nem depois do penso. Passo-as por álcool antes e, de novo, à saída e lavo-as na próxima casa em que encontre água corrente.
Chove a cântaros. Volto para o carro, (é o meu carro e recebo uma ninharia para usá-lo porque não há carros de serviço suficientes, nem para metade do serviço) e avanço pela lama com medo de ficar enterrada, de derrapar e ter um acidente (não há seguro que cubra este acidente "em serviço"). Chego ao próximo domicílio em que vou prestar cuidados, não há lugar para estacionar perto, deixo o carro a mais de 300 metros, carrego as malas do material, o guarda chuva, desloco-me devagar, o cansaço vai tomando conta de mim e ainda não vou a meio do dia... Mas, para quê falar disto?... A minha profissão não é considerada de risco e nem penosa! Ainda há quem pense que o trabalho que faço não necessita sequer, de qualificação profissional... Chego à porta da D. Joaquina, 92 anos, vive numas águas furtadas, sem elevador. Subo 5 lances de escadas de madeira, apodrecidas, escuras, bafientas. O prédio parece cenário de um filme de terror, não se ouve ninguém enquanto subo pisando devagar, com medo que alguma tábua dos degraus se parta e eu fique, sem socorro, pendurada nem sei como. Nem vi se ali dentro, tenho rede no telemóvel... nem sei se conseguiria chegar-lhe... Carrego com as malas do material... Chego por fim, à pequena mansarda do velho prédio! A D. Joaquina vive com uma irmã pouco mais nova, D. Maria, naquele espaço exíguo. Teve um AVC e o hospital deu-lhe alta passadas 72 horas. Ficou em casa, sem cuidados, até que a irmã se queixou a uma vizinha, que fez o favor de ir ao Centro de Saúde comunicar a situação das duas senhoras. Do Hospital, mais uma vez, se esqueceram de notificar da alta. Quando lá fui pela primeira vez, constatei as enormes úlceras de pressão que tenho vindo a tratar ali. O tecto é baixo, inclinado, a cama está encostada à parede. Para lhe cuidar as feridas tenho que me pôr de joelhos no chão e ficar inclinada, sobre a cama. Não tenho apoio para os materiais que utilizo e a D. Maria pouco me pode ajudar, porque se move com dificuldade e quase não vê. Quando me endireito, as minhas costas doem... tenho as pernas dormentes... Pelo menos há água. Tiro o avental que enrolo para levar comigo, assim como o lixo tirado dos pensos, porque só posso depositar aquele material contaminado, com relativa segurança, no Centro de Saúde. Lavo as mãos, puxo do sorriso de que sou mais capaz, para me despedir até daqui a dois dias, pego nas malas, desço as escadas com os mesmos temores e cuidados com que as subi... continua a chover lá fora... mas não posso perder tempo. Faço, de novo à chuva, o caminho de regresso ao carro equilibrando a custo, carregos e guarda chuva! Pensando, apesar de tudo, como é bom andar... Perante as vidas que as nossas visitas nos fazem pressentir e apesar de tudo, sentir, não há queixas que os enfermeiros considerem justas!
Próximo desafio: a Helena! Toxicodependente... tem SIDA, continua a
consumir... com sorte, ainda encontro o traficante lá em casa... As enfermeiras não podem ter medo! Uff! Não encontrei o traficante e a Helena hoje até estava mais acordada e com melhor humor do que é habitual. Depois desta visita, paro num pequeno café, onde consigo estacionar perto da porta. Continua a chover e já vou atrasada no serviço. À pressa e maquinalmente vou sorvendo o galão e mastigando o pão com queijo que me servirão de almoço... Não posso pensar enquanto como porque, se começo a recordar-me do que vivi nesta manhã, ou em outras parecidas, não há nada que eu consiga engolir.
Continuo: o Sr. Manuel é diabético, divorciado, tem 50 anos, foi amputado
de uma perna, vive sozinho num 3º andar também sem elevador. Há 2 anos que não sai de casa: como fazer? Convive com poucas pessoas das quais a maioria, são as enfermeiras e eu, uma delas! Precisa de conversar... e eu sei reconhecer essa necessidade humana básica de comunicação, para cuja resposta fui muito bem preparada e continuo a ser, em todas as publicações e actualizações, que me obrigo a conhecer... como posso então dizer-lhe que esse cuidado básico, não faz parte da estatística que ainda tenho que preencher quando chegar ao Centro de Saúde, depois das mais 6 pessoas que ainda me falta cuidar e que não faz parte das contabilidades dos contadores do meu tempo, o tempo necessário para ficar ali a ouvi-lo? Despeço-me, o mais delicadamente que posso e saio, tentando ignorar o mal estar que me provoca o facto de apenas me contarem as injecções, os pensos e muito pouco mais, quando me exigem que me dê conta de tudo o resto e, depois, o considere... supérfluo! Sigo para as casas dos outros, onde vou encontrar outras dores, outras chagas, outros desesperos, outras solidões e confrontar-me, de todas as vezes, com a minha incapacidade para fazer mais, para fazer melhor, apesar de me sentir a dar do que sei e do que sou, até ao limite das minhas forças...
Mas com quem vou eu falar da solidão do outro, da minha impotência, das dores nas costas, dos meus medos, das várias inseguranças, daquele ventre desfeito, dos familiares exaustos, da tristeza, da compaixão... das súplicas de eutanásia, das dúvidas sobre o valor e os valores da vida??? E quem vai entender, depois, de incómodos de chuva, de frio, de sol, de calor, de maus cheiros, de dores nas minhas pernas... do material tirado dos pensos a conspurcar o meu carro... é nele que, depois de sair do trabalho, tenho que ir buscar a minha filha à escola!!! Já estou atrasada!!!
Não, a penosidade do que faço e os riscos que me passam pela cabeça, devem ser ilusão minha... Soube que nos anos 80, havia um movimento no sentido de se considerar Enfermagem como profissão de risco mas isso, foi completamente abandonado nos tempos que correm, em que o maior risco passou a ser o de perder o emprego... O emprego... porque o trabalho é cada vez mais... Ah! E os convites ao empreendedorismo dos enfermeiros... Podemos ser todos empresários e tirar desta miséria que vemos e sentimos, o proveito mais proveitoso que se pode imaginar... depois de as grandes empresas privadas que constroem hospitais de luxo, onde os meus doentes nunca podem entrar, garantirem que as suas actividades geram lucros para os seus accionistas...
Não, as enfermeiras não se revoltam. Não têm tempo!
Sobretudo, as enfermeiras não choram! Não têm lágrimas!

Mas sabem?... as lágrimas que mais doem são aquelas que não correm!'

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Uma obra de arte!

















O embrulho era grande e foi levantado bem alto para a avó lhe pegar sem esforço.

- Abre, avó, é uma surpresa que eu fiz para ti...

...
...
... Gostas?























- Muito, meu amor...
Vou colocá-lo na parede, num lugar especial, onde possa olhá-lo sempre... e vou mostrá-lo a todos os amigos que visitem o meu blogue... principalmente àqueles e àquelas que ainda não são avós e não podem ainda ver na sua descendência de 3 anos, a influência do post-modernista Henry Rousseau...

sábado, 25 de outubro de 2008

Filhos, netos & companhia 2




Hoje a azáfama cá em casa, foi grande. Mas valeu a pena, para ter uma sensação que há muito tempo não tinha... casa cheia, casa minha, flores na sala, aromas de cozinha! uau... Até rimei. Quiz deixar este registo aqui, porque acho que é bom registar o que nos faz sentir bem.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Posso recomendar???

Hoje li em: Estranhos Dias e Corpo do Delito uma reflexão que gostaria de partilhar com os meus eventuais visitantes (os que ainda não passaram por lá, claro!)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Elas


...são camponesas ...

...são enfermeiras...

... são professoras...

...carregam a água e o mais que seja preciso...


...lavam a roupa...

...fazem a comida...


...cuidam dos filhos...


...reunem-se ...
...debatem os seus assuntos...

... cuidam de todas as mil e uma pequenas coisas que vão fazendo com que a vida continue possível...


...apesar de...

...muitos deles...


... parecerem muito felizes...

.
...em "brincadeiras" de matar a sério ...
Fotos: cristal & companheiro:
diversos momentos; lugares diversos; em África - final do século XX

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Mais verde... de esperança

Ao redor da aldeia (tabanka) o milho cresce e promete fartura para a família: Os homens que lavraram a terra, as mulheres que plantaram, regaram, mondaram, voltaram a regar e hão-de colher e transformar em alimento e, obviamente as crianças e os mais velhos, que conviveram e mutuamente se apoiaram, enquanto aquelas tarefas ocupavam os demais. Quem ficará com a melhor parte na partilha???
Foto Cristal - Guiné 1997

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Verdes de lavar olhares


Acho que continuará a existir ainda naquela terra, a exuberância de verdes que me encanta...
Felizmente algumas plantas ainda conseguem viver indiferentes aos desmandos que alguns outros seres vivos vão tramando e fazendo por lá.
Foto Cristal - Guiné 1997

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sonhos na realidade

Saímos de mãos dadas, por fora do tempo e naquela dimensão do universo, em que sempre estás comigo. Caminhámos, leves e seguros na paisagem que um ainda longínquo amanhecer ilumina, silenciosos porque as palavras, aqui, não são necessárias. Comunicámos, em silêncio, sobre os temas de sempre: A beleza e os mistérios da vida, as pequenas realizações que vamos conseguindo e também, os grandes sonhos que sonhámos, não para nós, mas para o mundo depois de nós. Que continuam vivos, mesmo se às vezes parecem completamente inatingíveis: a vitória dos afectos, o triunfo da solidariedade e a marcha lenta da Humanidade no caminho da transcendência dos egos, até à completa compreensão do universo que somos em Universo. Vejo o teu sorriso iluminado e terno e sinto, como sempre, a tua tolerância para as imperfeições todas, a tua paciência para buscar um trilho, a tua força que me serve de suporte e a tua esperança inabalável em amanhãs diferentes, que me guia sempre... As nossas mãos entrelaçadas com força e o teu olhar profundo encontrando o meu. Instigas-me a não desistir. A viver também por ti e eu prometo-te que sim, que não desistirei... desde que possa continuar a encontrar-me, assim, contigo...
Foto de cristal - Varela 1997

sábado, 27 de setembro de 2008

Mais uma relíquia

Mais uma composição de Violeta Parra (volver a los diecisiete) cantada por Mercedes Sosa e um grupo de outros bem conhecidos e apreciados artistas. Bem haja quem a partilhou no youtube...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Gracias a la vida

Tendo deixado duas memórias em forma escrita e não querendo abusar da vossa atenção, hoje aprendi, com a ajuda a Mdsol, a colocar vídeos do youtube e escolhi, para partilhar com quem venha, uma das canções mais belas que aprendi, escrita por uma mulher e cantada por duas. As três partilhando a minha grande admiração.
Digam se gostam...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Doutrina

Isto das memórias é como as cerejas. Puxa-se uma e conseguem-se sempre às duas e três, pelo menos. Foi assim que, ao puxar "o primeiro dia de escola", me saíu outra lembrança, que também tem a ver com lições da vida da aldeia em que aprendi a andar, a falar e muitas mais coisas, talvez as mais marcantes, porque foram as primeiras. Ainda antes de ir para a escola, comecei a ir à doutrina (naquele tempo ainda não se chamava catequese). De padre nossos e avé marias, bem como das jaculatórias mais comuns, já ia aviada de casa, pois o terço era rezado em família. O meu avô entremeava as orações com apreciações várias: A prenhez da gata, que se lhe enroscava no colo, o tempo que ia fazer no dia seguinte e outras, que se lhe atravessassem nos dizeres, de que é exemplo um "salvé raínha, mãe de misericórdia - valha-vos 600 diabos, já me partisteis a cruz ao terço - vida doçura, esperança nossa..." A doutrina era ensinada aos domingos de tarde, por duas beatas velhotas. Uma delas, talvez não por acaso a que sabia ler, ensinava os meninos ficando a outra, que não conhecia uma letra, a dar o catecismo às meninas. Todas sentadas em banquinhas pequenas, lá íamos cantando as lenga-lengas e foi assim que, à pergunta «Quem é Deus?» todas decorámos que «é um ser todo poderoso, criador do céu e da terra... nosso "legérador" e "rumenérador"». Chegada a casa e, na tentativa de perceber o que cantarolara, perguntei aos meus pais o que significavam aquelas palavras esquisitas. Não sei se precisaram de ir ver ao catecismo... Responderam-me que, tais palavras não existiam e que eu deveria dizer, em vez delas, respectivamente "legislador" e "remunerador", cujo sentido me devem ter explicado. Armada deste «saber», aí vou eu, no domingo seguinte, solícita, corrigir a catequista. Não entendi porque é que, apenas lhe disse que não eram aquelas as palavras da resposta, levei uma pancada, dada com os dedos da mão grossa, bem no alto da cabeça, juntamente com a advertência de que eu deveria dizer, tal qual como ela ensinava, as «palavras sagradas» do catecismo. Deve ter sido a partir desse dia que enjoei catecismos e catequistas... Claro que não pude deixar de ir à doutrina (tinha que fazer os passos todos...) mas felizmente, os meus pais não fizeram muita questão de que fosse muito assídua...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Atenção blogogatos - Olhem aqui!!

O meu nome não é um nome qualquer. Chamo-me Greta Garbo e estou a pensar emigrar para um clima mais quente. Ando a preparar a papelada e as malas e, como podem ver, não ligo muito a fotógrafos...
Posted by Picasa

Primeiro dia de escola

A Eileen Barbosa, do blogue "soncente" deixou um desafio para descrevermos o nosso primeiro dia de escola. Eu procurei lembrar e vou deixar também aqui o que lá escrevi:
Xiii! Há tanto tempo! Precisamente, vai fazer 54 anos em 7 de Outubro próximo. A minha mãe foi levar-me à aula da D. Olinda, onde eu ia ser a aluna mais pequenina. Só deveria entrar no ano seguinte, mas os meus pais tinham decidido pagar não sei que taxa, que lhes permitia mandarem-me para a escola um ano mais cedo, ou seja, antes de completar os 6 anos, o que só iria acontecer na primeira metade do ano seguinte. A aula era mista e tinha mais de 40 alunos e alunas. A aldeia era pequena e eu conhecia-os a todos, embora não costumasse brincar com eles. Por um lado, era mais pequena, por outro lado, eu vivia num tipo de “gueto” em que não me era permitido conviver, senão com as crianças da mesma "igualha", ou seja, o irmão, os primos e primas e... nada mais. Mas costumava ver passar as outras crianças e admirá-las a brincar na eira em frente da minha casa. Com o nariz esborrachado na vidraça e enquanto ninguém dava por isso lá em casa, seguia com os olhos as brincadeiras do pião e da bola, do saltar à corda e outros folguedos que me estavam vedados, já que eu era a maior dos da minha "igualha" e não conseguia meter os mais pequenos, em brincadeiras como essas. Por isso, pensava eu, que ir para a escola iria permitir-me brincar com os outros, ser uma deles. Não sabia que eles não me aceitariam nunca. E, nessa altura não compreendi e não sabia o que fazer e, por isso, iniciei um caminho que, durante muito tempo e talvez para sempre, me afastou e afastou, até não saber nada deles, apesar de continuar a ir à aldeia em que cresci e fiz toda a escola primária, sentindo-me sempre sozinha e diferente, por razões das quais nada sabia e que hoje, e desde há muito, vejo e sinto como completamente sem razão, portadoras de sentimentos de inadequação e fonte de sofrimento. Só para mim?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Que fazer?

Tomei conhecimento através do blogue "Crónicas do Rochedo" que o Enganados e sem Nada conta uma história que é, infelizmente mais uma, do teor de muitas que se têm passado neste país que parece cada vez mais, uma "república das bananas". Deixo a ligação acima para que, quem assim o entender, possa fazer outro tanto e possibilitar a maior divulgação possível à situação que os trabalhadores vão relatando. Não sei se serve para alguma coisa... mas, ignorar é que não serve de certeza.

sábado, 20 de setembro de 2008

Casamento especial


















Foto de Cristal - Setembro 2008

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

CLANDESTINOS - 2




















Foto de Cristal - Guatemala 1998

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

CLANDESTINOS




















Foto de Cristal - Guiné - Bissau 1996

domingo, 14 de setembro de 2008

"Too many recipients receiving this hour"

Foi assim que a netcabo se "desculpou" por não enviar para os meus amigos "do costume" este vídeoclip que queria distribuir-lhes já que o recebi de uma amiga e gostei das lembranças boas que me trouxe. Então lembrei-me de tentar mais uma coisa que nunca fiz e aqui está (pelo menos a tentativa) de o deixar neste sítio para todos os que venham visitá-lo:

video

E parece que resultou...
Já agora gostava de saber que raio de desculpa é aquela, que me parece esfarrapada, num domingo ao fim da tarde.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Assinalar a data

Hoje são muitos os meios de comunicação e também blogues a recordar o que se passou há 7 anos. São menos os que se lembram o que sucedeu no Chile, há 35 anos e o horror que se seguiu durante anos e cujas repercussões estão longe de ser ultrapassadas. Há honrosas excepções como se pode ver aqui (aqui) e (aqui). Neste blogue recém nascido, eu não quero deixar passar, sem referir, os 11 de Setembro de 1973 e de 2001 . A minha convicção é a de que as responsabilidades maiores pelos dois acontecimentos que aqui se recordam, estão do mesmo lado e diferem pouco quanto ao teor... Também as vítimas foram do mesmo mdodo sacrificadas, aos interesses de um sistema insano de exploração do universo e da humanidade, que não olha a meios para continuar a atingir os seus fins: Manter o poder nas mãos de poucos e manter a maioria amordaçada pelos medos vários, que vai fabricando e impondo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Festa



Cor rubra do sol e da alegria,
Do encontro, da amizade e da renovação da esperança em cada Setembro. Obrigada aos que assim a constroem e a partilham.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Partilhando

"só passamos por este mundo uma única vez. Poucas tragédias conseguem ser mais abrangentes do que a atrofia da vida; poucas injustiças conseguem ser mais profundas do que ser privado da oportunidade de lutar, ou mesmo de ter esperança, por causa de um limite externo que se faz passar por interno" - GOULD, Stephen Jay - A falsa medida do homem - trad. Ana Luísa Coelho, Quasi edições, 2004 - p.55.

domingo, 7 de setembro de 2008

O jeito que eu sei

Vinha no carro há pouco, ouvindo as notícias sobre as eleições em Angola. Não me interessa muito a opinião de Ana Gomes ou de qualquer outro observador (todos eles têm uma cor e um sentido determinado para a observação). As opiniões dos observadores, sejam elas quais forem, quase de certeza são irrelevantes para o que pensam e sobretudo para o que sentem e sofrem, as pessoas do povo Angolano. Na minha memória ecoam as palavras daquele sábio velho africano que, em vésperas de outras eleições, num outro país africano, me dizia: Sabe? O povo vota mesmo em quem já encheu os bolsos no governo. Assim, resta-nos a esperança de que, dos bolsos cheios, caia alguma coisa para satisfazer as necessidades de comida, educação, saúde e outras coisas que ao povo interessam. Votar noutros e esperar que eles encham os bolsos a ponto de de lá cair alguma coisa, é saber que teremos de esperar ainda mais tempo...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Filhos, netos & companhia

Ou, netos, filhos & companhia? É! Acho que a ordem agora, é mais esta. Fim de férias para todos, o 1º A a ter hoje o 1º dia de aulas na "escola dos grandes" (> 3 anos) e o 2º A, trapalhão, nas tentativas prematuras de se manter de pé agarrado com uma mão só... (uma nódoa negra em cada bochecha e a possibilidade de não ficar por aí). J (1ª) gastando os últimos dias de férias em arrumações que esperavam desde o ano passado, por uma conjunção de disponibilidades rara enquanto J (2º) e as companhias de JJ andavam num virote, transportando e montando prateleiras do IKEA, para as arrumações ficarem mesmo arrumadas. Uma avó dá muito jeito e só fica disponível depois de os 2 AA ficarem de dói-dóis sarados, num soninho calmo e os JJ cansados irem cada um com o seu respectivo tratar de outras vidas. E pronto. Assim arranjei assunto para o segundo post ainda sem muito tom mas com algum som... ufff!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Sem tom nem som

Agradecida a quem me deu a ideia de começar assim, sem tom, nem som. Com o tempo espero acrescentar colorido e quem sabe, até o som venha a impor-se por aqui. Para já é assim que inicio esta forma de comunicar-me com o mundo.