segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sonhos na realidade

Saímos de mãos dadas, por fora do tempo e naquela dimensão do universo, em que sempre estás comigo. Caminhámos, leves e seguros na paisagem que um ainda longínquo amanhecer ilumina, silenciosos porque as palavras, aqui, não são necessárias. Comunicámos, em silêncio, sobre os temas de sempre: A beleza e os mistérios da vida, as pequenas realizações que vamos conseguindo e também, os grandes sonhos que sonhámos, não para nós, mas para o mundo depois de nós. Que continuam vivos, mesmo se às vezes parecem completamente inatingíveis: a vitória dos afectos, o triunfo da solidariedade e a marcha lenta da Humanidade no caminho da transcendência dos egos, até à completa compreensão do universo que somos em Universo. Vejo o teu sorriso iluminado e terno e sinto, como sempre, a tua tolerância para as imperfeições todas, a tua paciência para buscar um trilho, a tua força que me serve de suporte e a tua esperança inabalável em amanhãs diferentes, que me guia sempre... As nossas mãos entrelaçadas com força e o teu olhar profundo encontrando o meu. Instigas-me a não desistir. A viver também por ti e eu prometo-te que sim, que não desistirei... desde que possa continuar a encontrar-me, assim, contigo...
Foto de cristal - Varela 1997

sábado, 27 de setembro de 2008

Mais uma relíquia

Mais uma composição de Violeta Parra (volver a los diecisiete) cantada por Mercedes Sosa e um grupo de outros bem conhecidos e apreciados artistas. Bem haja quem a partilhou no youtube...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Gracias a la vida

Tendo deixado duas memórias em forma escrita e não querendo abusar da vossa atenção, hoje aprendi, com a ajuda a Mdsol, a colocar vídeos do youtube e escolhi, para partilhar com quem venha, uma das canções mais belas que aprendi, escrita por uma mulher e cantada por duas. As três partilhando a minha grande admiração.
Digam se gostam...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Doutrina

Isto das memórias é como as cerejas. Puxa-se uma e conseguem-se sempre às duas e três, pelo menos. Foi assim que, ao puxar "o primeiro dia de escola", me saíu outra lembrança, que também tem a ver com lições da vida da aldeia em que aprendi a andar, a falar e muitas mais coisas, talvez as mais marcantes, porque foram as primeiras. Ainda antes de ir para a escola, comecei a ir à doutrina (naquele tempo ainda não se chamava catequese). De padre nossos e avé marias, bem como das jaculatórias mais comuns, já ia aviada de casa, pois o terço era rezado em família. O meu avô entremeava as orações com apreciações várias: A prenhez da gata, que se lhe enroscava no colo, o tempo que ia fazer no dia seguinte e outras, que se lhe atravessassem nos dizeres, de que é exemplo um "salvé raínha, mãe de misericórdia - valha-vos 600 diabos, já me partisteis a cruz ao terço - vida doçura, esperança nossa..." A doutrina era ensinada aos domingos de tarde, por duas beatas velhotas. Uma delas, talvez não por acaso a que sabia ler, ensinava os meninos ficando a outra, que não conhecia uma letra, a dar o catecismo às meninas. Todas sentadas em banquinhas pequenas, lá íamos cantando as lenga-lengas e foi assim que, à pergunta «Quem é Deus?» todas decorámos que «é um ser todo poderoso, criador do céu e da terra... nosso "legérador" e "rumenérador"». Chegada a casa e, na tentativa de perceber o que cantarolara, perguntei aos meus pais o que significavam aquelas palavras esquisitas. Não sei se precisaram de ir ver ao catecismo... Responderam-me que, tais palavras não existiam e que eu deveria dizer, em vez delas, respectivamente "legislador" e "remunerador", cujo sentido me devem ter explicado. Armada deste «saber», aí vou eu, no domingo seguinte, solícita, corrigir a catequista. Não entendi porque é que, apenas lhe disse que não eram aquelas as palavras da resposta, levei uma pancada, dada com os dedos da mão grossa, bem no alto da cabeça, juntamente com a advertência de que eu deveria dizer, tal qual como ela ensinava, as «palavras sagradas» do catecismo. Deve ter sido a partir desse dia que enjoei catecismos e catequistas... Claro que não pude deixar de ir à doutrina (tinha que fazer os passos todos...) mas felizmente, os meus pais não fizeram muita questão de que fosse muito assídua...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Atenção blogogatos - Olhem aqui!!

O meu nome não é um nome qualquer. Chamo-me Greta Garbo e estou a pensar emigrar para um clima mais quente. Ando a preparar a papelada e as malas e, como podem ver, não ligo muito a fotógrafos...
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Primeiro dia de escola

A Eileen Barbosa, do blogue "soncente" deixou um desafio para descrevermos o nosso primeiro dia de escola. Eu procurei lembrar e vou deixar também aqui o que lá escrevi:
Xiii! Há tanto tempo! Precisamente, vai fazer 54 anos em 7 de Outubro próximo. A minha mãe foi levar-me à aula da D. Olinda, onde eu ia ser a aluna mais pequenina. Só deveria entrar no ano seguinte, mas os meus pais tinham decidido pagar não sei que taxa, que lhes permitia mandarem-me para a escola um ano mais cedo, ou seja, antes de completar os 6 anos, o que só iria acontecer na primeira metade do ano seguinte. A aula era mista e tinha mais de 40 alunos e alunas. A aldeia era pequena e eu conhecia-os a todos, embora não costumasse brincar com eles. Por um lado, era mais pequena, por outro lado, eu vivia num tipo de “gueto” em que não me era permitido conviver, senão com as crianças da mesma "igualha", ou seja, o irmão, os primos e primas e... nada mais. Mas costumava ver passar as outras crianças e admirá-las a brincar na eira em frente da minha casa. Com o nariz esborrachado na vidraça e enquanto ninguém dava por isso lá em casa, seguia com os olhos as brincadeiras do pião e da bola, do saltar à corda e outros folguedos que me estavam vedados, já que eu era a maior dos da minha "igualha" e não conseguia meter os mais pequenos, em brincadeiras como essas. Por isso, pensava eu, que ir para a escola iria permitir-me brincar com os outros, ser uma deles. Não sabia que eles não me aceitariam nunca. E, nessa altura não compreendi e não sabia o que fazer e, por isso, iniciei um caminho que, durante muito tempo e talvez para sempre, me afastou e afastou, até não saber nada deles, apesar de continuar a ir à aldeia em que cresci e fiz toda a escola primária, sentindo-me sempre sozinha e diferente, por razões das quais nada sabia e que hoje, e desde há muito, vejo e sinto como completamente sem razão, portadoras de sentimentos de inadequação e fonte de sofrimento. Só para mim?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Que fazer?

Tomei conhecimento através do blogue "Crónicas do Rochedo" que o Enganados e sem Nada conta uma história que é, infelizmente mais uma, do teor de muitas que se têm passado neste país que parece cada vez mais, uma "república das bananas". Deixo a ligação acima para que, quem assim o entender, possa fazer outro tanto e possibilitar a maior divulgação possível à situação que os trabalhadores vão relatando. Não sei se serve para alguma coisa... mas, ignorar é que não serve de certeza.

sábado, 20 de setembro de 2008

Casamento especial


















Foto de Cristal - Setembro 2008

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

CLANDESTINOS - 2




















Foto de Cristal - Guatemala 1998

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

CLANDESTINOS




















Foto de Cristal - Guiné - Bissau 1996

domingo, 14 de setembro de 2008

"Too many recipients receiving this hour"

Foi assim que a netcabo se "desculpou" por não enviar para os meus amigos "do costume" este vídeoclip que queria distribuir-lhes já que o recebi de uma amiga e gostei das lembranças boas que me trouxe. Então lembrei-me de tentar mais uma coisa que nunca fiz e aqui está (pelo menos a tentativa) de o deixar neste sítio para todos os que venham visitá-lo:

video

E parece que resultou...
Já agora gostava de saber que raio de desculpa é aquela, que me parece esfarrapada, num domingo ao fim da tarde.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Assinalar a data

Hoje são muitos os meios de comunicação e também blogues a recordar o que se passou há 7 anos. São menos os que se lembram o que sucedeu no Chile, há 35 anos e o horror que se seguiu durante anos e cujas repercussões estão longe de ser ultrapassadas. Há honrosas excepções como se pode ver aqui (aqui) e (aqui). Neste blogue recém nascido, eu não quero deixar passar, sem referir, os 11 de Setembro de 1973 e de 2001 . A minha convicção é a de que as responsabilidades maiores pelos dois acontecimentos que aqui se recordam, estão do mesmo lado e diferem pouco quanto ao teor... Também as vítimas foram do mesmo mdodo sacrificadas, aos interesses de um sistema insano de exploração do universo e da humanidade, que não olha a meios para continuar a atingir os seus fins: Manter o poder nas mãos de poucos e manter a maioria amordaçada pelos medos vários, que vai fabricando e impondo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Festa



Cor rubra do sol e da alegria,
Do encontro, da amizade e da renovação da esperança em cada Setembro. Obrigada aos que assim a constroem e a partilham.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Partilhando

"só passamos por este mundo uma única vez. Poucas tragédias conseguem ser mais abrangentes do que a atrofia da vida; poucas injustiças conseguem ser mais profundas do que ser privado da oportunidade de lutar, ou mesmo de ter esperança, por causa de um limite externo que se faz passar por interno" - GOULD, Stephen Jay - A falsa medida do homem - trad. Ana Luísa Coelho, Quasi edições, 2004 - p.55.

domingo, 7 de setembro de 2008

O jeito que eu sei

Vinha no carro há pouco, ouvindo as notícias sobre as eleições em Angola. Não me interessa muito a opinião de Ana Gomes ou de qualquer outro observador (todos eles têm uma cor e um sentido determinado para a observação). As opiniões dos observadores, sejam elas quais forem, quase de certeza são irrelevantes para o que pensam e sobretudo para o que sentem e sofrem, as pessoas do povo Angolano. Na minha memória ecoam as palavras daquele sábio velho africano que, em vésperas de outras eleições, num outro país africano, me dizia: Sabe? O povo vota mesmo em quem já encheu os bolsos no governo. Assim, resta-nos a esperança de que, dos bolsos cheios, caia alguma coisa para satisfazer as necessidades de comida, educação, saúde e outras coisas que ao povo interessam. Votar noutros e esperar que eles encham os bolsos a ponto de de lá cair alguma coisa, é saber que teremos de esperar ainda mais tempo...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Filhos, netos & companhia

Ou, netos, filhos & companhia? É! Acho que a ordem agora, é mais esta. Fim de férias para todos, o 1º A a ter hoje o 1º dia de aulas na "escola dos grandes" (> 3 anos) e o 2º A, trapalhão, nas tentativas prematuras de se manter de pé agarrado com uma mão só... (uma nódoa negra em cada bochecha e a possibilidade de não ficar por aí). J (1ª) gastando os últimos dias de férias em arrumações que esperavam desde o ano passado, por uma conjunção de disponibilidades rara enquanto J (2º) e as companhias de JJ andavam num virote, transportando e montando prateleiras do IKEA, para as arrumações ficarem mesmo arrumadas. Uma avó dá muito jeito e só fica disponível depois de os 2 AA ficarem de dói-dóis sarados, num soninho calmo e os JJ cansados irem cada um com o seu respectivo tratar de outras vidas. E pronto. Assim arranjei assunto para o segundo post ainda sem muito tom mas com algum som... ufff!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Sem tom nem som

Agradecida a quem me deu a ideia de começar assim, sem tom, nem som. Com o tempo espero acrescentar colorido e quem sabe, até o som venha a impor-se por aqui. Para já é assim que inicio esta forma de comunicar-me com o mundo.