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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Gracias a la vida

Tendo deixado duas memórias em forma escrita e não querendo abusar da vossa atenção, hoje aprendi, com a ajuda a Mdsol, a colocar vídeos do youtube e escolhi, para partilhar com quem venha, uma das canções mais belas que aprendi, escrita por uma mulher e cantada por duas. As três partilhando a minha grande admiração.
Digam se gostam...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Doutrina

Isto das memórias é como as cerejas. Puxa-se uma e conseguem-se sempre às duas e três, pelo menos. Foi assim que, ao puxar "o primeiro dia de escola", me saíu outra lembrança, que também tem a ver com lições da vida da aldeia em que aprendi a andar, a falar e muitas mais coisas, talvez as mais marcantes, porque foram as primeiras. Ainda antes de ir para a escola, comecei a ir à doutrina (naquele tempo ainda não se chamava catequese). De padre nossos e avé marias, bem como das jaculatórias mais comuns, já ia aviada de casa, pois o terço era rezado em família. O meu avô entremeava as orações com apreciações várias: A prenhez da gata, que se lhe enroscava no colo, o tempo que ia fazer no dia seguinte e outras, que se lhe atravessassem nos dizeres, de que é exemplo um "salvé raínha, mãe de misericórdia - valha-vos 600 diabos, já me partisteis a cruz ao terço - vida doçura, esperança nossa..." A doutrina era ensinada aos domingos de tarde, por duas beatas velhotas. Uma delas, talvez não por acaso a que sabia ler, ensinava os meninos ficando a outra, que não conhecia uma letra, a dar o catecismo às meninas. Todas sentadas em banquinhas pequenas, lá íamos cantando as lenga-lengas e foi assim que, à pergunta «Quem é Deus?» todas decorámos que «é um ser todo poderoso, criador do céu e da terra... nosso "legérador" e "rumenérador"». Chegada a casa e, na tentativa de perceber o que cantarolara, perguntei aos meus pais o que significavam aquelas palavras esquisitas. Não sei se precisaram de ir ver ao catecismo... Responderam-me que, tais palavras não existiam e que eu deveria dizer, em vez delas, respectivamente "legislador" e "remunerador", cujo sentido me devem ter explicado. Armada deste «saber», aí vou eu, no domingo seguinte, solícita, corrigir a catequista. Não entendi porque é que, apenas lhe disse que não eram aquelas as palavras da resposta, levei uma pancada, dada com os dedos da mão grossa, bem no alto da cabeça, juntamente com a advertência de que eu deveria dizer, tal qual como ela ensinava, as «palavras sagradas» do catecismo. Deve ter sido a partir desse dia que enjoei catecismos e catequistas... Claro que não pude deixar de ir à doutrina (tinha que fazer os passos todos...) mas felizmente, os meus pais não fizeram muita questão de que fosse muito assídua...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Primeiro dia de escola

A Eileen Barbosa, do blogue "soncente" deixou um desafio para descrevermos o nosso primeiro dia de escola. Eu procurei lembrar e vou deixar também aqui o que lá escrevi:
Xiii! Há tanto tempo! Precisamente, vai fazer 54 anos em 7 de Outubro próximo. A minha mãe foi levar-me à aula da D. Olinda, onde eu ia ser a aluna mais pequenina. Só deveria entrar no ano seguinte, mas os meus pais tinham decidido pagar não sei que taxa, que lhes permitia mandarem-me para a escola um ano mais cedo, ou seja, antes de completar os 6 anos, o que só iria acontecer na primeira metade do ano seguinte. A aula era mista e tinha mais de 40 alunos e alunas. A aldeia era pequena e eu conhecia-os a todos, embora não costumasse brincar com eles. Por um lado, era mais pequena, por outro lado, eu vivia num tipo de “gueto” em que não me era permitido conviver, senão com as crianças da mesma "igualha", ou seja, o irmão, os primos e primas e... nada mais. Mas costumava ver passar as outras crianças e admirá-las a brincar na eira em frente da minha casa. Com o nariz esborrachado na vidraça e enquanto ninguém dava por isso lá em casa, seguia com os olhos as brincadeiras do pião e da bola, do saltar à corda e outros folguedos que me estavam vedados, já que eu era a maior dos da minha "igualha" e não conseguia meter os mais pequenos, em brincadeiras como essas. Por isso, pensava eu, que ir para a escola iria permitir-me brincar com os outros, ser uma deles. Não sabia que eles não me aceitariam nunca. E, nessa altura não compreendi e não sabia o que fazer e, por isso, iniciei um caminho que, durante muito tempo e talvez para sempre, me afastou e afastou, até não saber nada deles, apesar de continuar a ir à aldeia em que cresci e fiz toda a escola primária, sentindo-me sempre sozinha e diferente, por razões das quais nada sabia e que hoje, e desde há muito, vejo e sinto como completamente sem razão, portadoras de sentimentos de inadequação e fonte de sofrimento. Só para mim?

domingo, 14 de setembro de 2008

"Too many recipients receiving this hour"

Foi assim que a netcabo se "desculpou" por não enviar para os meus amigos "do costume" este vídeoclip que queria distribuir-lhes já que o recebi de uma amiga e gostei das lembranças boas que me trouxe. Então lembrei-me de tentar mais uma coisa que nunca fiz e aqui está (pelo menos a tentativa) de o deixar neste sítio para todos os que venham visitá-lo:



E parece que resultou...
Já agora gostava de saber que raio de desculpa é aquela, que me parece esfarrapada, num domingo ao fim da tarde.