Tenho andado com o tempo e a disposição muito ocupados com outras coisas e apenas tenho passado pelos blogues de que gosto, em correria. Hoje decidi colocar este vídeo, que recebi de um amigo da Guatemala e achei interessante mostrar a quem ainda se lembre de passar por aqui.
sábado, 7 de março de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Fazer o linho
O linho precisa de muita água, de muito trabalho e de uma dedicação toda especial. Semear, regar, mondar, tornar a regar e a mondar, até atingir a maturidade, sem ervas daninhas que estraguem a sua qualidade. Depois, é tirá-lo da terra, secá-lo ao sol e, em seguida, é massado antes de voltar à água corrente de uma fonte ou regato, onde fica alguns dias, a fim de que a palha seja fácil de soltar da fibra. Retira-se depois, escorre-se, volta a estender-se ao sol, até ficar completamente seco. A partir daí, passa para o sedeiro onde se separam os tomentos, a estopa e, finalmente, o linho. Dantes, todas as partes eram aproveitadas, destinando-se os tomentos, depois de fiados e tecidos, a fazer sacos grossos onde se guardavam cereais e leguminosas secas. A estopa, era também fiada e tecida e destinava-se a roupas e mantas grosseiras, muitas vezes tecidas com tiras de tecidos usados, porque tudo era reciclado e escrupulosamente aproveitado. Também servia, a estopa, para a trama de tecer com lã das ovelhas, uma tela grossa chamada serguilha, usada para a roupa mais grosseira. Finalmente, do sedeiro saía o linho mais fino, que passava para a roca e era fiado, com grande perícia de dedos e saliva da fiandeira já que, para o fio sair bem calibrado e igual, era necessário fazê-lo correr da roca para o fuso com movimentos certos e corridos, a que os dedos molhados ficavam mais sensíveis. Do fuso, passava para o sarilho, que o tornava em meadas. Estas meadas eram, depois, lavadas e postas a corar ao sol durante dias e, por vezes ainda, no inverno, a algumas barrelas antes de, depois de consideradas com brancura suficiente, irem finalmente para a preparação para o tear. Esta consistia, antes de tudo, em transformar meadas em novelos mais fáceis de manejar e, para isso, utilizava-se a dobadoira (ou às vezes braços de ajudante) para segurar a meada e dobar o fio. Em novelos, ia para as mãos da tecedeira que o transformava em peças de pano cru. O trabalho da tecedeira será o meu próximo tema pois, acho inda ser capaz de me lembrar de todos os passos que vi (e penso ter "ajudado") repetidas vezes, durante a minha infância. Fotografias: www.bestanca.com/.../CaminhadaSeraoValeBestanca
Uma toalha de linho e 5 mulheres / gerações
A propósito da barrela que a Maria do Sol questionou no Branco no Branco lembrei-me desta toalha. O que tem ela a ver com barrelas? As muitas a que deve ter sido submetido o linho de que é feita até atingir a alvura que tem. Esta toalha, tenho a certeza, é trabalho artesanal das mulheres de 4 gerações: Da primeira, que foi minha visavó Emília, não tenho fotografia, (em homenagem a ela, foto do quadro "as respigadoras" de Jean-François Millet (1814-1875)) apenas lhe sei o nome, que terá nascido quando ia a meio o século XIX e que terá cultivado e cuidado de todo o ciclo do linho (falarei deste em seguida) até ele chegar ao tear da segunda. Esta, Ludovina, nasceu em 11 de Agosto de 1888 e teceu teias de linho para muitos enxovais, de várias gerações, antes de falecer em 1965. A terceira, Otília, nasceu a 1 de Maio de 1925, felizmente ainda se encontra entre nós e continua fazendo rendas lindíssimas que é a sua maneira de continuar a dar-nos mimo. Fez a renda que "casa" muito bem com o linho fiado pela avó, tecido pela mãe e que dá beleza à toalha. A quarta, sou eu mesma e enchi-me de brios e picadelas nos dedos para pregar, numa bainha-aberta não imperfeita de todo, a renda ao linho e, assim, terminar a toalha a tempo de a oferecer à minha filha Joana, a quinta mulher da mesma família a quem "toca" o mesmo linho. Quando lha ofereci, não consegui deixar de lhe sugerir que, se por acaso vier a passá-la à geração seguinte, lhe acrescente alguma coisa... Olhou-me com olhar maroto e, rindo, respondeu: só se forem nódoas...terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
3 de Fevereiro

Para a bébé mais rosadinha de todos os que eu vira... Aquela que, antes que todos os outros bébés, me fez sentir o que é ver um ser humano a crescer e a desenvolver connosco, as habilidades e os afectos da vida... Porque ela faz anos hoje e eu tenho muito carinho por ela... Porque, além disso, sinto um grande orgulho em conhecer, amar e admirar a mulher em que ela se tornou, aqui fica este testemunho, com mil abraços e desejo de que continue por muitos anos, cheia de saúde e alegria, a alindar a vida daqueles que com ela se vão cruzando... PARABÉNS G.
sábado, 10 de janeiro de 2009
No Sal
O texto que se segue foi escrito em Julho de 2005 no aeroporto do Sal de onde estou a publicar este post. A fotografia foi tirada agora mesmo e mostra um painel pintado pelo pintor e músico Caboverdiano Kiki Lima
. A diferença é que desta vez estou a sair de Cabo Verde e agora temos internet wireless no aeroporto para entreter as 6 horas de espera que, desta vez não acho que alguém me tire :)
. A diferença é que desta vez estou a sair de Cabo Verde e agora temos internet wireless no aeroporto para entreter as 6 horas de espera que, desta vez não acho que alguém me tire :)No Sal
Estranho o aeroporto! Apesar de já o ter visto como ele é hoje, na última viagem a este país, não é o aeroporto das minhas memórias do Sal. O aeroporto, onde vivi tantos encontros, tantas partidas e chegadas, o aeroporto ligado a tantas recordações dos anos que foram, sem dúvida alguma, dos mais plenamente conseguidos de toda a minha vida. Fui feliz no Sal como raramente se diz ser feliz...
Tenho 6 horas de espera pelo avião que me levará até S. Vicente e, dessas, já passei quase metade no bar onde bebi uma água e comi um yogurte. Esta, uma iguaria impossível de encontrar quando cá vivemos, assim como muitas outras que nos obrigaram a desenvolver competências insuspeitadas nas artes da cozinha... E não só... Quanta criatividade para viver por cá o dia-a-dia, mas também quanta certeza de ser capaz... De enfrentar fosse o que fosse...
Fui trocar euros por escudos e... que incrível!!! Ser reconhecida e tratada pelo nome, por parte do jovem que me atendeu! Até esse momento nenhum rosto familiar, nada nem ninguém reconhecível e quase me dispunha a esquecer que estava aqui. Terminei de ler o "Exercícios de Estilo" do Luís Pacheco e não me sentia muito disponível para vasculhar a memória procurando caras ou nomes e esperava tudo, menos que um jovem com menos de 30 anos me arrancasse desta passagem anónima. Afinal, fiquei e continuo vivendo em algumas memórias dos "miúdos" do Sal para os quais, com os quais, fiz um dos trabalhos que maior satisfação me proporcionaram. E isso é muito, muito, muito gratificante...
E, depois deste encontro, começaram os nomes e os rostos a saltar em catadupa da memória, até as vozes e os odores vêm trazendo consigo episódios e sensações, lembranças queridas de um tempo feliz, que passei neste pedaço de terra erguido no meio do oceano, grudado para sempre àquilo, àquela, que sou. E, a partir desse momento, não me sinto mais estranha e até mesmo o tão diferente aeroporto, me parece, de novo, bem familiar.
De repente surge o A. B., bem mais velho, (como eu), e logo me lembro que é casado com a C. e das músicas que compunha e tocava no violão em alguns dos serões em que nesta ilha participei. Este encontro acabou por encurtar esta espera no Sal. O A. conseguiu meter-me no primeiro voo para S. Vicente, a seguir ao nosso encontro. Velhos vícios, velhos privilégios... E cá estou eu já no avião, esperando o levantar para o voo de cerca de 45 minutos que me deixará em S. Vicente.
Estranho o aeroporto! Apesar de já o ter visto como ele é hoje, na última viagem a este país, não é o aeroporto das minhas memórias do Sal. O aeroporto, onde vivi tantos encontros, tantas partidas e chegadas, o aeroporto ligado a tantas recordações dos anos que foram, sem dúvida alguma, dos mais plenamente conseguidos de toda a minha vida. Fui feliz no Sal como raramente se diz ser feliz...
Tenho 6 horas de espera pelo avião que me levará até S. Vicente e, dessas, já passei quase metade no bar onde bebi uma água e comi um yogurte. Esta, uma iguaria impossível de encontrar quando cá vivemos, assim como muitas outras que nos obrigaram a desenvolver competências insuspeitadas nas artes da cozinha... E não só... Quanta criatividade para viver por cá o dia-a-dia, mas também quanta certeza de ser capaz... De enfrentar fosse o que fosse...
Fui trocar euros por escudos e... que incrível!!! Ser reconhecida e tratada pelo nome, por parte do jovem que me atendeu! Até esse momento nenhum rosto familiar, nada nem ninguém reconhecível e quase me dispunha a esquecer que estava aqui. Terminei de ler o "Exercícios de Estilo" do Luís Pacheco e não me sentia muito disponível para vasculhar a memória procurando caras ou nomes e esperava tudo, menos que um jovem com menos de 30 anos me arrancasse desta passagem anónima. Afinal, fiquei e continuo vivendo em algumas memórias dos "miúdos" do Sal para os quais, com os quais, fiz um dos trabalhos que maior satisfação me proporcionaram. E isso é muito, muito, muito gratificante...
E, depois deste encontro, começaram os nomes e os rostos a saltar em catadupa da memória, até as vozes e os odores vêm trazendo consigo episódios e sensações, lembranças queridas de um tempo feliz, que passei neste pedaço de terra erguido no meio do oceano, grudado para sempre àquilo, àquela, que sou. E, a partir desse momento, não me sinto mais estranha e até mesmo o tão diferente aeroporto, me parece, de novo, bem familiar.
De repente surge o A. B., bem mais velho, (como eu), e logo me lembro que é casado com a C. e das músicas que compunha e tocava no violão em alguns dos serões em que nesta ilha participei. Este encontro acabou por encurtar esta espera no Sal. O A. conseguiu meter-me no primeiro voo para S. Vicente, a seguir ao nosso encontro. Velhos vícios, velhos privilégios... E cá estou eu já no avião, esperando o levantar para o voo de cerca de 45 minutos que me deixará em S. Vicente.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Se não fora por causa do vento
Pois! Se não fora porque está um ventinho de atirar areia aos olhos, eu não estaria aqui abrigada a passear pela net. Assim, este abrigo é bom e dá-me pretexto para vos oferecer mais uma fotografia do ex-libris deste "Soncent que um vez era sabe..." Agora também é mas, quando o vento toma conta do clima, não há sabura que se imponha, a menos que possamos estar num cantinho sossegado. De onde vos deixo com este poema de Corsino Fortes:Girassol
Girassol
Rasga a tua indecisão
E liberta-te.
Vem colar
O teu destino
Ao suspiro
Deste hirto jasmim
Que foge ao vento
Como
Pensamento perdido.
Aderido
Aos teus flancos
Singram navios.
Navios sem mares
Sem rumos
De velas rotas.
Amanheceu!
Orça o teu leme
E entra em mim
Antes que o Sol
Te desoriente
Girassol!
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